Irmãs e Irmãos do blog Dianismo Feminista Brasil,
Feliz Equinócio de Primavera!
Primeiro gostaria de dizer que eu e a Nyx (Gabi) não abandonamos vocês. Eu tenho passado por muita correria, mas aos poucos estou conseguindo retomar a minha vida online. Acredito que a Gabi também esteja passando por algo assim e assim que possível ela retornará.
Bom, estou escrevendo para informar sobre o meu novo blog "Tarô Feminista" onde estarei compartilhando materiais sobre decks de Tarô e Oráculos com abordagens feministas, entrevistas com as/os criadoras/es destes, artigos, tiragens, etc. Tudo com cunho feminista e diânico. Espero que gostem!
http://www.tarofeminista.blogspot.com/
E estou finalizando a tradução de alguns artigos e textos sobre Dianismo e outros de autoria da Z (Budapest). Estarei compartilhando aqui com vocês.
Espero que todas/os estejam bem!
Bênçãos na IrmÃdade,
)O( Aphrodisiastes )O(
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Dianismo e TPM
Nas nossas listas de discussão, estamos sempre recebendo perguntas de mulheres que sofrem de TPM e gostariam de saber de métodos naturais para tratar dos incômodos e dores relacionadas ao ciclo menstrual. Isso me levou a uma reflexão mais profunda sobre o papel da TPM na nossa sociedade. A Green Woman achou a resposta interessante e recomendou que eu postasse aqui:
Ao longo dos anos e ao longo do meu sacerdócio diânico, eu desenvolvi a firme convicção de que a TPM existe porque o mundo não está preparado para os ciclos naturais femininos. As mulheres são cobradas a terem o mesmo tipo de comportamento/performance/humor sempre, mas nós todas tendemos, em maior ou menor grau, a termos ritmos internos muito bem definidos, que estão longe de serem lineares.
Mulheres - e homens! - mudam, todo o ano, todo o mês, toda a semana, toda a hora. Exigir que elas sejam sempre as mesmas é não só cruel como impossível. A TPM, me parece, é exatamente uma revolta do corpo feminino contra uma sociedade que não está sintonizada com os ritmos femininos. O nosso corpo é sábio e a dor, o mau humor e o mal estar, são, muitas vezes, formas de avisar que alguma coisa não vai bem. Aliais, a função evolutiva da dor é justamente informar ao nosso cérebro que alguma coisa está errada. E, no entanto, por gerações e gerações mulheres foram doutrinadas a acreditarem que a TPM era uma carga/punição completamente vinculada à própria condição feminina, que nada nos resta, em nossa “desgraça e azar de ter nascido mulheres”, do que nos resignar ou tomar remédios paliativos e adotar métodos invasivos para continuarmos seguindo os ritmos lineares impostos por uma sociedade doente que não leva em conta as necessidades biológicas e psíquicas de mais de 50% da população.
Ao longo dos anos e ao longo do meu sacerdócio diânico, eu desenvolvi a firme convicção de que a TPM existe porque o mundo não está preparado para os ciclos naturais femininos. As mulheres são cobradas a terem o mesmo tipo de comportamento/performance/humor sempre, mas nós todas tendemos, em maior ou menor grau, a termos ritmos internos muito bem definidos, que estão longe de serem lineares.
Mulheres - e homens! - mudam, todo o ano, todo o mês, toda a semana, toda a hora. Exigir que elas sejam sempre as mesmas é não só cruel como impossível. A TPM, me parece, é exatamente uma revolta do corpo feminino contra uma sociedade que não está sintonizada com os ritmos femininos. O nosso corpo é sábio e a dor, o mau humor e o mal estar, são, muitas vezes, formas de avisar que alguma coisa não vai bem. Aliais, a função evolutiva da dor é justamente informar ao nosso cérebro que alguma coisa está errada. E, no entanto, por gerações e gerações mulheres foram doutrinadas a acreditarem que a TPM era uma carga/punição completamente vinculada à própria condição feminina, que nada nos resta, em nossa “desgraça e azar de ter nascido mulheres”, do que nos resignar ou tomar remédios paliativos e adotar métodos invasivos para continuarmos seguindo os ritmos lineares impostos por uma sociedade doente que não leva em conta as necessidades biológicas e psíquicas de mais de 50% da população.
Mas se levarmos em consideração a premissa de que a TPM é uma revolta dos nossos corpos contra um estilo de vida e uma sociedade que não respeitam nossos ritmos internos, me parece que uma das melhores formas de se lidar com a TPM é justamente produzir menos e sem culpa, nos dando todo o tempo que conseguimos nos dar. De preferência, interagir com outras pessoas o menos possível, pois muitas de nós sentimos uma necessidade instintiva de nos isolarmos nesses dias. Por outro lado, é sempre bom aproveitar esse período de maior sensibilidade para levar uma vida espiritual e criativa muito mais intensa. Essa é a hora de nos tornarmos mais introspectivas e de prestar atenção nos nossos sonhos. É hora de pegar o computador e se dedicar à criação, de ler um livro, de desenhar, de ficar quieta no nosso canto e de fazer rituais para as nossas Deusas, enfim, de cuidar de nosso santuário interior.
Lembrando que “na medida do possível” aqui é a expressão mágica. Claro que nem sempre dá para fazer isso. Claro que, às vezes, no meio da TPM, o chefe, a família, o banco, o exército e a marinha e a aeronáutica vão demandar nossa atenção. E aí não tem jeito, agente sai do casulo - com um humor terrível - e vai fazer o que é necessário. Mas devemos ter o compromisso de fazer APENAS O NECESSÁRIO. Em dias de TPM, não é o caso de nos martirizarmos porque deixamos de salvar o mundo. Tudo o que pudermos cancelar, postergar, passar a diante, passemos sem culpa. Aí, quando nosso corpo sair da TPM, agente provavelmente conseguirá se tornar bem mais ativa, retomar o tempo perdido, produzir em triplo, em quádruplo se for necessário. No final das contas, provavelmente produziremos muito mais porque respeitamos nossos corpos. E ainda vamos ter passado por uma experiência de introspecção e reflexão que são essenciais para nós, que somos filhas das Deusas.
E é claro que podemos continuar fazendo o que todas nós já fazemos: tomando ervinhas, meditando, usando cristais, fazendo exercícios, tendo uma alimentação e uma vida saudável. Tudo para o alívio da nossa TPM e a melhoria de nossa existência. Mas lembrando sempre que esses remédios e métodos não eliminam a necessidade de respeitar nosso próprios corpos e nossos próprios ritmos.
Eu sinceramente acho que nós mulheres temos de começar a nos permitir mais. Generalizando, parece que muitos de nossos colegas de trabalho homens não parecem ter 10% do complexo de culpa que nós temos por não sermos funcionárias padrão. Grande parte deles sabe projetar uma imagem excelente, super profissional, pois, de modo geral, são bem mais confiantes que nós e foram criados para serem os donos do mundo. Mas quando agente vai ver a planilha, os resultados concretos, muitas vezes produzimos muito mais. Com TPM ou sem TPM. E ainda levou os filhos para a escola, arrumou a casa, telefonou para a amiga, fez o imposto de renda, foi ao supermercado... E no entanto, somos nós que ficamos pedindo pelo amor de Deus para sermos aceitas, para sermos consideradas adequadas, para sobressairmos de alguma forma. Somos nós que lutamos contra os nossos corpos porque "não trabalhamos como um homem". E ainda ganhamos menos para exercer as mesmas funções, como nos informam as estatísticas nacionais e internacionais.
Claro que tudo isso é uma baita generalização :), mas o que eu estou tentando dizer é, fora fatores físicos mesmo, que podem ser contornados com tratamentos e uma vida mais saudável, eu acredito que TPM muitas vezes é a voz da Deusa nos dizendo para nos respeitarmos e pedindo que nós contribuamos para uma sociedade mais em harmonia com os ciclos naturais femininos. De preferência sem perder o emprego ou matar o(a) parceiro(a), né?
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Resenha - Wildfire

Acabo de ler um livro muito importante para minha formação diânica: Wildfire, de Sonia Johnson. Apesar de tê-lo achado muito agressivo, como nas partes em que ela fala que todos os nossos filhos, homens, são monstros e em outra em que ela diz que aids é doença de homossexual – ok, esse livro foi escrito na década de 1980 (rs) –, creio que é um livro muito inspirador, já que a idéia central dele é “fingirmos” que o patriarcado não existe para tentarmos criar uma realidade nova e diferente para as mulheres.
Como a própria autora diz, é um livro para quem quer se tornar livre e, segundo ela, primeiro precisamos nos libertar para depois ajudar a libertar a mente das outras pessoas. Precisamos nos desprogramar de toda a lavagem cerebral que o patriarcalismo nos causou.
Por exemplo, o patriarcado nos ensinou a enxergar que a realidade está fora de nós, quando Sonia explica que a realidade, na verdade, está dentro de nós. Somos nós quem criamos essa realidade a partir de nossas expectativas e crenças, a partir daquilo que percebemos como possível. Portanto, segundo ela, no mesmo instante em que o patriarcalismo não estiver mais vivo em nossos corações e mentes, ele também não existirá mais como realidade.
Sonia faz ótimas observações sobre a militância feminista que realmente me surpreenderam. Por exemplo, diz que a resistência é uma forma de reconhecimento e de aceitação do fato de que não possuímos poder algum. Um simples exemplo de como nossos corpos não são de fato nossos é entregarmos a saúde de nossos órgãos a ginecologistas homens.
Lutamos para que as mulheres tenham direitos, no entanto não paramos para pensar que o sistema legal foi feito para manter o patriarcalismo intacto, já que as leis são feitas por homens. (Apesar de eu não votar, acredito que aqui se justifique a intenção de colocar mais mulheres na política. Aliás, numa pequenina nota de rodapé, Sonia diz que “se o voto mudasse alguma coisa, ele seria ilegal”.)
Johnson diz que o sistema tirânico que existe, de dominação das mulheres por parte dos homens, é um acordo, e que ambas as partes seguem-no “com dedicação”. Sendo assim, só conseguiremos ser livres no momento em que nós mesmas nos libertarmos.
A solução, segundo a autora, é: precisamos nos comportar como se o patriarcado não mais existisse agora, pois um dos crimes mais cruéis deste foi nos ensinar a projetar nossos pensamentos no futuro, em algo que ainda não existe. O futuro só será como queremos se agirmos como queremos que ele seja AGORA.
Uma das questões discutidas no livro, para a qual eu nunca havia tido uma resposta até agora, é o fato de algumas mulheres apanharem dos maridos e ainda assim não os abandonarem. Sei que há uma questão financeira atrás desse fato, na maioria das vezes, mas nunca entendi bem a questão psicológica, que semprei achei que existia. Ela explica que esse homem isola a mulher, para que ela só possa perceber a perspectiva dele e, quando ela sofre, mesmo que esse mesmo homem bata nela, como ela não tem nenhum outro de relacionamento para apoiá-la, como vítima, ela se agarra ao aspecto apoiador e positivo do marido.
Um outro mito interessante que a autora tenta desfazer é o da igualdade. Lutamos tanto por ela, mas toda igualdade requer comparação primeiro, e a comparação significa colocar-se diante de padrões externos, feitos por outras pessoas. Na opinião da autora, o conceito de igualdade é profundamente patriarcal e só é possível para mentes “dualísticas”.
Todos reconhecem que a mulher, atualmente, desempenha diversas tarefas, como a de mãe, profissional e amante. Esquecemo-nos, porém, que esse auto-sacrifício nos foi também imposto pelo patriarcado. Matar-se de trabalhar para ganhar dinheiro ou se matar para cuidar dos outros não são atos tão inocentes assim. A falta de tempo de que todos andamos reclamando tanto tem seu motivo, mesmo que oculto, de ser: manter todos aprisionados ao sistema patriarcal.
Precisamos parar de nos comportar como homens e aceitar que somos diferentes. Precisamos deixar de lado a culpa que o patriarcado colocou por sobre as mães. Precisamos começar a ouvir nossas próprias vozes novamente. O poder está dentro de nós. Só nós mesmas podemos mudar o mundo. Se não começarmos a nos levar a sério, ninguém o fará.
Danielle Sales
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